Ontem foi, talvez, um dos maiores dias da em que a dissonância pode quase se condensar. Ouso dizer que ela se condensou em dois corpos, duas histórias e dois futuros. Se presentificou com grande parte dos sentidos que essa palavra pode comportar além dos novos que a imponho neste momento: desafinação, desentoação, descompasso, desentendimentos, "junção de sílabas ou palavras que soam mal, falta de proporção nas formas; desarmonia entre as partes. [Antôn.: harmonia] Falta de coerência entre duas ou mais coisas; falta de harmonia numa combinação de elementos (cores, opiniões, figuras, estilos etc.)"
A dissonância é uma condição subjetiva, pois é nela que o hiato se forma para que haja a irrupção do sujeito. Não posso dizer que isso é positivo ou negativo, pois a insurgência do sujeito não tem esse juízo de valor. Simplesmente foi. Se o entendimento de tudo não tivesse um resto, um descompasso, não teríamos terreno para as escolhas, as interpretações, e até mesmo o próprio reconhecimento do outro enquanto sujeito, pois se partimos da nossa divisão pressupomos também um outro dividido.
A história que me remete a dissonância é "Peter Pan", que ao contrário de outros finais felizes, os apaixonados não vivem - juntos - felizes para sempre. "De volta ao lar, Wendy pediu para que ele ficasse.
Peter Pan disse não, ele preferiu a Terra do Nunca, assim ele nunca cresceria e poderia brincar com todas as crianças sempre." A escolha que contraria os corações dos apaixonados, foi uma escolha do sujeito, e que depois teve de arcar com o rebote da sua decisão. Pan não teria mais as histórias da Wendy e nem seu verdadeiro amor por perto. Mas Wendy também poderia ter escolhido fica na Terra do Nunca, mas decidiu voltar para casa e crescer, e abriu mão da condição de ser criança para sempre, brincar e amá-lo. Uma ação prescinde sempre de dois, no mínimo, mas no mais das vezes dois. Demorei seis anos para começar a elaborar isso...
Tal como Pan disse não. Tal como Wendy disse não. Recolho as consequências em dissonância.
Amei intensamente, tal como Pan e Wendy, mas também recusei este amor em nome de escolhas outras, que pareciam ser importantes, assim como para os personagens, difíceis de abrir mão. Mas por toda uma eternidade isso se manteve latente, uma chama de richout. Wendy passou a sua vida adormecendo olhando na janela para ver se Pan voltaria. Pan, vez ou outra, dava umas incertas no quarto de Wendy para admirá-la dormindo...
O promotor e o atenuador das dissonâncias é a fala. O promotor, pois, no mais das vezes, é o que se diz é que é abismático para si mesmo e para o outro, mas é também quando se fala, e se "refala" é que esses maus entendidos, causados pelo saber sabido sobre o dito do outro é que se esfacela e torna-se a ficar mais próximo de uma certa consonância - pois isso é o máximo que se pode chegar, já que nunca a coisa em si é capturada, e está desde sempre perdida.
Decidi falar. Falar tudo - respeitando sempre que o tudo é fundamentalmente quase tudo. Apostei. Saberes sabidos se demonstraram errôneos, e por anos as coisas ficaram tão quadradinhas quanto dissonantes. Nutríamos um pelo outro algo especial, e durante anos colocamos em pé de promiscuidade e descaso. O ácido pode ser doce, e a dureza pode ser afetuosa.
A dissonância me acompanhou na palavra, pois dizer o que vinha à cabeça era quase um parto. Era um descompasso do corpo, pois algo queria mexer a boca, beijar, tocar, abraçar, ir embora, não chorar... Mas o corpo, quase autônomo, ou respondendo aos comandos que não os de meu julgamento egóicos, nada cumpria. Não mexeu a boca, muito menos permitiu ser tocado, pesou uma tonelada para levantar-se, chorou, "diluviou", debulhou-se em lágrimas.
Seguimos, fizemos cálculos inúmeros, com variáveis infinitas para se chegar a um resultado binário: 0 ou 1. Ama ou odeia? Fica ou vai embora? Não ou sim?!?!?! Mas na Terra da dissonância e do Nunca, as coisas não são bem assim. O resultado encontrado deu pane no meu processador. O resultado de horas de cálculo foi: algo igual a diferente de zero e diferente de um. Estou tentando ainda elaborar isso...
Gostaríamos muito que Pan e Wendy fechassem um círculo. Mas é assim, as coisas não são perfeitas, não acontece como a gente quer, o imaginário não é o real, o simbólico faz uma ponte pensil cheia de tábuas corroídas pelo destino... Saibamos aprender com a dissonância, não na forma de torná-la consonante, mas de tirarmos dela alguma preciosidade para lidarmos com a vida.

Li...reli...dissonei...pois eh...só a dissonância consona, ou não!!
ResponderExcluirbeijos querida
nelson
Hum. Meio Caetano isso...
ResponderExcluirse me ar - se me ama - se me amar
ResponderExcluirc mente semente amar
ResponderExcluirNelson Barroso
eu amo esse filme amo ele eu vi revi
ResponderExcluire chorei todas as vezes eu qria mto q ele tivessem ficado
na terra do nunk e seren crianças para sempre
qria q isso existice no mundo real
eu me ponho no lugar da wendy e penso q se fosse ela tia ficado cm ele nao teria deixado-ir nossa esse filme me faz chorar todas as vezes q eu o vejo msm sabendo oq vai acontece no final ele me machuca me ponho no lugar dele asvezes e no lugar dela eu qria ser ela em todas as partes qria q tudo isso fosse real qria q ele ficasse so dakele tamainho. ja sonhei mtas vezes com ele apezar de ser tudo um filme mais eu sempre quiz ir com ele pra terra do nunk cm ele ja sonhei q ele tinha aparecido na minha janela para me levar cm ele isso tudo pode ser bobagem mais é oq aconteceu cmg. qndo eu vejo o filme fiko com o caraçao apertado pois eu nao faria isso oq ela fez cm ele.
esse sait foi uma desculpa para mim escrever oq sinto qndo vejo o filme ou qndo vejo imagens deles eu so qria demonstra isso de alguma manera e aki foi onde eu axei q podia. eu li oq estava escrito la em cima so de le q ela nao quiz fica com ele para poder crescer eu ja choro.
xau bjs bgd