quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cisne Negro: Uma exibição da psicose.



Hoje, estive no Leblon e uma coincidência aconteceu. Saí do compromisso no exato instante que começava a exibição de "Cisne Negro", com a lindíssima Natalie Portman. Fui capturada por este filme: o balé é uma das minhas paixões.
Não só isso. Disseram também que a sua mãe azucrinava sua vida. E, por certa identificação resolvi assistir.
O filme é sem dúvida a melhor encenação de um delírio psicótico. Não só das alucinações quanto das outras questões psicopatológicas que envolvem a estrutura psicótica: o delírio, sem nenhum recurso de simbolização, as alucinações corpóreas, visuais e auditivas - as vozes, o efeito da droga sobre esta estrutura e o lugar que ela ocupa.  Isso sem falar dos acessórios: a mãe e o desejo da mãe, a não diferenciação sexual, o tempo lógico, a paranóia, a obsessão... Não vou fazer um comentário extenso, pois não quero acabar com a graça do filme. Não agora!
O mais interessante foi ver as velhinhas saindo do cinema na parte em que ela se masturba... Putz! Revelei uma parte!
Ninguém gostou, ao menos da minha sessão. Talvez, porque, assim como as sinopses que eu vi sobre o filme, a questão da psicose não seja uma questão. E mais ainda, porque isso não é claro para todos. Foi entendido como estresse... Mas aquilo já estava posto, e a coisa só emergiu depois da convocação como primeira bailarina... Não existia recurso subjetivo para tal. Não havia como simbolizar, só restava SER. Ser os cisnes.





domingo, 6 de fevereiro de 2011

Semanamor.

Segunda, te amo.
Terça, não te quero mais.
Quarta, prefiro ficar só.
Quinta, não aguento mais.
Sexta, procuro outro.
Sábado, não me satisfaz.
Domingo, volto a te amar...


sábado, 5 de fevereiro de 2011

A Paz

"A paz invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz."
Gilberto Gil. "A Paz"

O silêncio é bom para ouvirmos os nossos pensamentos.

O que todos querem: PAZ... A paz mundial, interior, paz no Rio...
Tal como a paz é a felicidade. Não é uma condição de eternidade, mas uma efemeridade que logo torna a situação de não paz e não felicidade. Isso dura, mais ou menos o tempo de sua perturbação dar uma voltinha na esquina para ir comprar cigarros. É o tempo que aproveito este silêncio para tentar expurgar, exsolver, expugnar neste blog...
Pronto acabou, a coisa voltou.
É isso a Paz e a Felicidade. Uma efemeridade.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Dissonâncias

Depois de tanto chorar, e em seguida, tal como um palhaço tem de esconder sua dor e para fazer o espetáculo, fui arrebatada por um cansaço insondável do corpo, mas o espírito - refiro-me assim àquele inominável que faz voz ao orgânico - em dissonância com o corpo queria produzir.
Ontem foi, talvez, um dos maiores dias da em que a dissonância pode quase se condensar. Ouso dizer que ela se condensou em dois corpos, duas histórias e dois futuros. Se presentificou com grande parte dos sentidos que essa palavra pode comportar além dos novos que a imponho neste momento: desafinação, desentoação, descompasso, desentendimentos, "junção de sílabas ou palavras que soam mal, falta de proporção nas formas; desarmonia entre as partes. [Antôn.: harmonia]  Falta de coerência entre duas ou mais coisas; falta de harmonia numa combinação de elementos (cores, opiniões, figuras, estilos etc.)"
A dissonância é uma condição subjetiva, pois é nela que  o hiato se forma para que haja a irrupção do sujeito. Não posso dizer que isso é positivo ou negativo, pois a insurgência do sujeito não tem esse juízo de valor. Simplesmente foi. Se o entendimento de tudo não tivesse um resto, um descompasso, não teríamos terreno para as escolhas, as interpretações, e até mesmo o próprio reconhecimento do outro enquanto sujeito, pois se partimos da nossa divisão pressupomos também um outro dividido.
A história que me remete a dissonância é "Peter Pan", que ao contrário de outros finais felizes, os apaixonados não vivem - juntos - felizes para sempre. "De volta ao lar, Wendy pediu para que ele ficasse.
Peter Pan disse não, ele preferiu a Terra do Nunca, assim ele nunca cresceria e poderia brincar com todas as crianças sempre." A escolha que contraria os corações dos apaixonados, foi uma escolha do sujeito, e que depois teve de arcar com o rebote da sua decisão. Pan não teria mais as histórias da Wendy e nem seu verdadeiro amor por perto. Mas Wendy também poderia ter escolhido fica na Terra do Nunca, mas decidiu voltar para casa e crescer, e abriu mão da condição de ser criança para sempre, brincar e amá-lo. Uma ação prescinde sempre de dois, no mínimo, mas no mais das vezes dois. Demorei seis anos para começar a elaborar isso...
Tal como Pan disse não. Tal como Wendy disse não. Recolho as consequências em dissonância.
Amei intensamente, tal como Pan e Wendy, mas também recusei este amor em nome de escolhas outras, que pareciam ser importantes, assim como para os personagens, difíceis de abrir mão. Mas por toda uma eternidade isso se manteve latente, uma chama de richout. Wendy passou a sua vida adormecendo olhando na janela para ver se Pan voltaria. Pan, vez ou outra, dava umas incertas no quarto de Wendy para admirá-la dormindo...
O promotor e o atenuador das dissonâncias é a fala. O promotor, pois, no mais das vezes, é o que se diz é que é abismático para si mesmo e para o outro, mas é também quando se fala, e se "refala" é que esses maus entendidos, causados pelo saber sabido sobre o dito do outro é que se esfacela e torna-se a ficar mais próximo de uma certa consonância -  pois isso é o máximo que se pode chegar, já que nunca a coisa em si é capturada, e está desde sempre perdida.
Decidi falar. Falar tudo - respeitando sempre que o tudo é fundamentalmente quase tudo. Apostei. Saberes sabidos se demonstraram errôneos, e por anos as coisas ficaram tão quadradinhas quanto dissonantes. Nutríamos um pelo outro algo especial, e durante anos colocamos em pé de promiscuidade e descaso. O ácido pode ser doce, e a dureza pode ser afetuosa.
A dissonância me acompanhou na palavra, pois dizer o que vinha à cabeça era quase um parto. Era um descompasso do corpo, pois algo queria mexer a boca, beijar, tocar, abraçar, ir embora, não chorar... Mas o corpo, quase autônomo, ou respondendo aos comandos que não os de meu julgamento egóicos, nada cumpria. Não mexeu a boca, muito menos permitiu ser tocado, pesou uma tonelada para levantar-se, chorou, "diluviou", debulhou-se em lágrimas.
Seguimos, fizemos cálculos inúmeros, com variáveis infinitas para se chegar a um resultado binário: 0 ou 1. Ama ou odeia? Fica ou vai embora? Não ou sim?!?!?! Mas na Terra da dissonância e do Nunca, as coisas não são bem assim. O resultado encontrado deu pane no meu processador. O resultado de horas de cálculo foi: algo igual a diferente de zero e diferente de um. Estou tentando ainda elaborar isso...
Gostaríamos muito que Pan e Wendy fechassem um círculo. Mas é assim, as coisas não são perfeitas, não acontece como a gente quer, o imaginário não é o real, o simbólico faz uma ponte pensil cheia de tábuas corroídas pelo destino... Saibamos aprender com a dissonância, não na forma de torná-la consonante, mas de tirarmos dela alguma preciosidade para lidarmos com a vida.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Máquina de Pinball.


Uma máquina de Pinball, todos sabem o que é: uma bolinha que bate em um monte de obstáculos e não se pode deixá-la ir para o buraco. E no final ganha-se pontos e tickets para serem trocados por aqueles brindes ridículos e inúteis destas casas de jogos quadradas de shopping. É isso. Imaginem agora uma máquina com quatro bolinhas  e que, cada uma luta por demarcar um obstáculo que a alavanque para que não a deixe cair no buraco. Essa é a experiência louca que há algum tempo atrás três pessoas toparam e levaram mais uma a reboque. Isso me leva a pensar como é incrível que, na nossa projeção, as coisas cabem mais nos espaços. O funcionamento hipotético é perfeito, desconsideramos coisas como: a desarrumação inerente ao movimento, as TPM's, as faltas de cigarro e citalopram, as TV's, o patinho... Ignoramos, e fazemos questão de ignorar o REAL da coisa. O IMAGINÁRIO é gestáltico, fechado e sublime. Só lá as coisas dão certo, nos devaneios. Quando topamos essa empreitada não contamos que um quarto e sala não comportam quatro pessoas, por uma questão tão óbvia quanto esquecida: precisamos de lugar, e isso falta. É apenas em um lugar que um sujeito pode surgir, seja nas suas meias sujas e viradas, nos seus documentos envoltos em panfletos de supermercados, ou mesmo nos programas de tv que apenas servem como música de ninar. "Cada um com a sua loucura", e que ela seja suportável para você e para o outro, mas para que isso aconteça faz-se necessário um palco, uma cena para que ela apareça. Sabe-se lá como estou escrevendo... Para ser didática (adoro usar exemplos e analogias): Escrevo agora ouvindo sons de remédios saindo de suas cartelas, um ventilador, o abominável BBB, o glub glub de água passando pela garganta, respirações, tosses, comentários idiotas. Isso tudo há meia luz, pois já tem gente querendo dormir. Ah, no outro canto do "laft-left-lift-loft-luft" um sujeito dormiu durante o castigo. Castigo no castigo do castigo. Melhor a máquina de sonhos do que a máquina de Pinball.


<http://pt.wikinoticia.com/cultura%20cient%C3%ADfica/inven%C3%A7%C3%B5es%20estranhas/64354-uma-maquina-de-pinball-em-uma-escala-humana> 



Exstante

(exs.tan.te)

a2g.
1 Que sobreviveu a um processo de eliminação ou destruição; SUBSISTENTE.

[F.: Do lat. exstante.]

Aulete Digital.

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"Ex..."

Existir

Exilado
Excluir
Exacerbado

Exnamorado
Exficante
Excomungado
Extraficante

Exstante

Estante
Instante
Insiste
Insistente
Incitante...
Deliza a cadeia
Significante!